Situações antes
vistas como distantes tornaram-se mais próximas e reais, permitindo novas
possibilidades de interação com o consumidor.
Até 2020, a
tecnologia mudará a comunicação entre os equipamentos e a forma como nos
relacionamos com eles. Ao longo desta década, pelo menos três avanços notáveis
da internet estarão amadurecidos e acelerarão ainda mais a mobilidade de
terceira geração: a nuvem (data centers públicos ou privados – cloud
computing), a internet das coisas e a internet semântica. Segundo
a Forrester Research, o setor empresarial deve investir cerca de US$ 241
bilhões em todo o mundo, até 2020, em tecnologias relacionadas com Cloud
Computing. No entanto, as empresas devem ficar atentas, pois a adoção dessas
técnicas sem um planejamento não garante um retorno do investimento, é preciso
investir em formação de mão de obra capacitada.
Na
era da internet 3.0, a computação nas nuvens permitirá armazenar quase tudo o
que hoje guardamos em computadores e smartphones, sendo um repositório
quase inesgotável para arquivos pessoais, filmes, aplicativos, jogos, entre
outros.
A
internet das coisas estará ligada ao cloud computing e será possível
estabelecer elos virtuais ou links entre objetos materiais como mercadorias,
livros, discos... A comunicação entre pessoas-objetos e objetos-objetos estará
no seu auge, devido à enorme quantidade de sensores comunicando-se e
estabelecendo novos diálogos. O coordenador e professor dos cursos de Sistemas
de Informação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade COTEMIG,
Renan Oliveira da Cunha, nos traça um cenário não tão futurista em que uma
pessoa consulta a internet, por um painel no seu automóvel para saber onde fica
a farmácia mais próxima. “Por meio de técnicas de localização, o sistema
localizaria a posição do usuário e ofereceria uma lista de possibilidades.
Farmácias poderiam utilizar essa solicitação do cliente para oferecer
vantagens, como descontos ou brindes, caso o usuário venha a escolher o seu
estabelecimento”, exemplifica.
A
internet semântica pode ser definida como uma união de tecnologias que
permitirão às máquinas entender o significado da informação. Fábio
Salles, diretor de TI da agência Kindle, relata que todas essas inovações
permite que a informação fique disponível em múltiplos meios, em velocidade e
tempo reais. Todavia, o diretor alerta que novos riscos e perigos
também surgirão com a nova tecnologia, pois nunca estivemos tão expostos como
atualmente. Ele exemplifica que dados em nuvem reduzem custos para empresa,
mas, por outro lado, coloca dados sob responsabilidade de terceiros. “O Brasil
carece até de uma legislação apropriada para esse tipo de cenário. Como
garantir a segurança da informação e o sigilo em um ambiente em nuvem? Com
tanta informação sendo gerada por tantas fontes, existirá uma grande
necessidade de sistemas de business intelligence, por exemplo, capazes
de extrair as informações efetivamente relevantes deste mar de dados”.
Mudança no relacionamento empresa/cliente e empresa/empresa
Essa
inovação mudará a forma como as empresas se comunicam com seus clientes e como
eles consomem serviços. Para o professor, a maioria das grandes empresas,
principalmente aquelas ligadas à área de tecnologia, já percebeu os benefícios
que pode oferecer. “A Apple investiu cerca de um bilhão de dólares na
construção de seu novo datacenter para oferecer seu serviço de nuvem (chamado
de iCloud). A idéia é de que os conteúdos vendidos pela empresa possam ser
acessados por qualquer produto da marca sem que o usuário tenha a necessidade
de ficar transferindo arquivos de um dispositivo para outro”.
Com
isso, a empresa impulsiona a venda de novos produtos por consumidores que se
vêem atraídos por essa comodidade. Oliveira relata ainda que um grande
benefício para as empresas é que, conhecendo e tendo acesso ao conteúdo
armazenado nas nuvens pelos seus usuários, elas são capazes de identificar
quais os reais interesses e necessidades de cada indivíduo, podendo oferecer
produtos e serviços mais personalizados, embora isso levante sérios
questionamentos quanto à privacidade e segurança das informações.
O
coordenador nos apresenta outro cenário que utiliza o conceito de “internet das
coisas”. “As informações de produção poderiam ser compartilhadas com todas as
empresas parceiras, fornecedoras de componentes, por meio de servidores nas
nuvens. Então, analisando o ritmo de produção da montadora, as produtoras de
peças poderiam reajustar suas próprias cadeias produtivas de forma a se alinhar
com as necessidades da mesma”.
A
web semântica aparece como um forte fator de transformação, visto que parte da
comunicação será processada direta ou indiretamente por máquinas. É importante
que as empresas saibam fazer uso dessa tecnologia de forma que consigam
atender aos seus clientes de maneira automatizada,
porém personalizada, “para proporcionar ao cliente uma maior satisfação sobre
os produtos e serviços, tornando esse processo mais próximo de uma experiência
natural, e não mecânica”, orienta Oliveira.
Impacto na realização de campanhas
As
empresas já perceberam que devem investir em um contato mais próximo com o seu
cliente e têm investido principalmente na divulgação de suas marcas nas redes
sociais. O problema surge quando isso é feito sem planejamento, gerando um
efeito contrário ao esperado. Para Oliveira, as empresas de publicidade estão
diante de um novo desafio em termos de promoção de um produto, no qual elas
devem oferecer uma experiência que os usuários queiram compartilhar, criando,
assim, uma cadeia de divulgação espontânea. “Isso pode envolver a criação e
distribuição de aplicativos gratuitos para smartphones, tablets e
outros dispositivos que, além de atender a alguma necessidade do cliente,
informam em redes sociais que o usuário está usando aquele produto e que, por
isso, está tendo algum tipo de benefício”.
Para
Fábio Salles, a internet das coisas possui um grande desafio pela frente: a
forma como será feito o cruzamento de dados. É importante gravar como
determinado produto é consumido e adquirido, mas cruzar isso com o consumo de outros
produtos pode trazer dados interessantes sobre hábitos de consumo.
Além da
possibilidade de sensores de produtos não ficarem restritos às lojas,e sim, a
qualquer lugar. “Um ambiente poderá detectar como as pessoas estão se vestindo,
quais produtos estão nas bolsas, entre outros. Novamente, o perigo é determinar
até que ponto isso não caracteriza uma invasão de privacidade”, pondera o
diretor de TI da agência Kindle.
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