Cada vez mais as
empresas procuram soluções para gerenciamento e distribuição de vídeos pela
internet. No entanto, pouco é conhecido sobre o consumo desse conteúdo. A maior
parte dos trabalhos existentes é focada na análise de material produzido pelos
próprios usuários e veiculado principalmente no YouTube. Ao perceber essa
lacuna, a SambaTech, plataforma de vídeos online líder na América Latina, foi
atrás de algumas respostas e conduziu, entre 2010 e 2011, um estudo amplo com
base em dados reais de utilização de vídeos de seus clientes.
Quanto à audiência e ao engajamento (entenda-se, aqui, a disposição em
assistir ao vídeo), alguns padrões merecem ser ressaltados. A quantidade de
visualizações durante a semana é maior que nos fins de semana. Ainda nos dias
úteis, observa-se queda acentuada nas visualizações por volta das 18 horas,
coincidindo com o fim do horário comercial. A retomada ocorre apenas em torno
das 20h ou 21h, quando as pessoas já chegaram às suas residências.
No entanto, ao contrário do número de visualizações, o engajamento dos
usuários aos sábados e domingos é maior que nos dias de semana. Isto é, embora
eles assistam aos vídeos com mais frequência durante os dias úteis, estão mais
dispostos a fazê-lo nos fins de semana. Outra constatação significativa é que,
de segunda a sexta-feira, destacam-se dois períodos de falta de engajamento:
entre 8h e 13h, quando as pessoas se mostram mais focadas no trabalho; e entre
23h e 1 da madrugada, quando elas já se preparam para dormir.
Com relação à distribuição geográfica das visualizações, fica evidente a
altíssima demanda por vídeos tanto em nível nacional quanto internacional. No
Brasil, o Estado de São Paulo é, de longe, o principal mercado de vídeos online
(42,5%). Além disso, análises demonstram que 90% das requisições no País são
resultantes de apenas 10% das cidades. Já as requisições oriundas de fora
representam 5%, e correspondem a aproximadamente 9% de todo o tráfego (o idioma
português se apresenta como uma importante barreira). Os líderes de requisições
estrangeiras são os Estados Unidos (21,8%), seguidos de Portugal (15%) e do
Japão (12,8%) três países com forte
presença de comunidade brasileira.
Duração e tempo de vida dos vídeos também foram analisados. Dentre
aqueles da amostra, 23% têm somente um dia de vida, indicando que é necessário
aprimorar a produção do conteúdo. Adicionalmente, a maior parte das
visualizações ocorre nos quatro primeiros dias, o que ratifica o poder de
viralização da internet. Em contrapartida, o número de vídeos ativos por mais
de um mês está crescendo, atingindo 30%. Identificou-se, assim, o seguinte
padrão: mídias menos populares concentram a maior parte de suas visualizações
nos primeiros dias; as mais populares tendem a possuir suas visualizações mais
dispersas durante seu período de vida.
Sobre a duração, o mercado é composto, em sua maioria, por vídeos
curtos, de até três minutos; entretanto, os mais longos (acima de dez minutos)
vêm ganhando espaço e já representam fatia considerável: 10,8%. Isso se deve,
sobretudo, à publicação de séries de TV e novelas na internet, e ainda à
criação de webséries. Com relação aos gêneros mais populares, três devem ser
frisados: notícias e política (48,42%), entretenimento (13,64%) e esportes
(10,55%).
Por fim, a duração de um vídeo está profundamente atrelada ao seu
conteúdo. Quase 90% dos de notícias são menores que três minutos. Os de
esportes têm média de duração um pouco maior, mas comportamento parecido. Os de
entretenimento, em geral, são mais longos: cerca de 60% deles levam mais que
três minutos para ser transmitidos. Ao contrário do senso comum, vídeos mais
curtos tendem a ser menos populares que os mais longos. Ou seja, os últimos têm
recebido número superior de visualizações na comparação com os primeiros. Seja
como for, apesar da popularidade de alguns vídeos, o estudo revela que a taxa
de retenção deles é baixa, sugerindo falha na geração desses conteúdos.
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