segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vídeo de segurança, a nova ferramenta de marketing

Indústria de VSaaS, ou video surveillance as a service, deverá movimentar US$ 2,4 bilhões em 2017
 
O proprietário da popular cafeteria The Creamery, da Califórnia, já não precisa assistir horas de gravação do sistema interno de vídeo para monitorar o movimento dos fregueses ou analisar tendências de comportamento que possam levar a novas táticas de marketing. Agora, onde quer que ele esteja, basta acionar seu smartphone para receber, via texto ou imagens online em tempo real, relatórios completos de dados analíticos.

Em nível nacional, as equipes de marketing da operadora wireless T-Mobile também estão usando devices móveis para acessar os vídeos de segurança de suas lojas e analisar mapas de calor gerados pelos frequentadores das suas lojas. Com isso, as equipes podem monitorar os setores de maior movimento de qualquer showroom dos EUA, e verificar quais produtos expostos despertam maior interesse.

Já na rede nacional de lojas Famous Footwear, os gerentes checam dados analíticos e mapas de calor dos fregueses para identificar quais estilos de sapatos são manuseados com maior frequência, e quais locais das lojas são os mais indicados para a colocação de propaganda ou promoções.

O que essas empresas têm em comum, além de circuitos internos de vídeo? O fato de estarem usando um software desenvolvido pela empresa californiana Prism Skylabs, que comprime as imagens (muitas vezes de má qualidade) gravadas pelas câmeras, leva-as para servidores baseados em nuvem, melhora as imagens por meio de sofisticadas tecnologias de fotografia computacional e visão computacional, e as transforma em visualizações, estatísticas ou outros dados que são mandados de volta para qualquer device – seja PC, smartphone ou tablet. Como resultado, as empresas têm acesso móvel a qualquer local das suas lojas físicas, 24 horas por dia, e também a dados de consumer analytics via imagens ou texto.

“Levamos as lojas para a internet de forma a permitir o engajamento entre empresas e consumidores. É como um Google Analytics para espaços físicos, onde você pode ver quantas pessoas estão numa loja e por quanto tempo ficam nela”, explica Ron Palmeri, presidente e co-fundador da Prism Skylabs. Segundo ele, esses dados físicos também podem ser utilizados para transformar o vídeo de segurança em uma “versão ao vivo” do Google Street View, o que beneficia os próprios consumidores. “Nós mostramos não só as fachadas das empresas, mas seu interior. Você pode, por exemplo, verificar em tempo real se determinado restaurante está lotado, ou se há mesa vaga para quatro pessoas.” O software também poderá ajudar empresas como Groupon e Google a inovar a publicidade para empresas físicas, usando fontes de dados online (como check-ins do Facebook ou Foursquare) para correlacionar promoções online com atividades do mundo real. Com isso, ele observa, uma empresa poderá checar, entre outros dados, se um cupon online aumentou efetivamente o tráfego de visitantes.

Demanda do varejo
Gordon Rubenstein, co-fundador da Pacific Partners, disse que a Prism Skylabs (na qual acabou de investir US$ 7,5 milhões) é exatamente o que os varejistas do mundo real estavam procurando. “É uma forma simples e escalável de entender a performance de produtos e o movimento de consumidores em milhares de sites, e de ganhar acesso móvel imediato a qualquer prateleira, display ou loja. O software pode, por exemplo, extrair uma visualização que mostra o caminho tomado pelas pessoas na loja (o que dá insight ao desempenho do design ou display), um heatmap de pessoas (mostrando áreas de pouco ou forte tráfego), uma foto sem qualquer pessoa na loja e muito mais. A Prism foi ainda mais longe ao analisar os dados de vídeo e fornecer resumos da atividade, comportamento e movimentos dos consumidores.” Além disso, ele acrescenta, a Prism permite que os usuários compartilhem fotos diretamente das suas plataformas para a página de uma empresa no Facebook, stream do Twitter, website, perfis no Yelp e Google+, conta no YouTube e perfil no Picasa.

A Prism enfatiza que a questão da privacidade não é um problema para os os consumidores filmados pelas câmeras de segurança, dado que desenvolveu uma tecnologia que “borra” os rostos e corpos das pessoas e impede qualquer possibilidade de identificação.

As poucas empresas convidadas a participar do beta test do software, que será lançado oficialmente em novembro, incluem a The Creamery, a operadora wireless T-Mobile, uma academia de ginástica de São Francisco, a rede Famous Footwear e a Walmart.

Mercado
Steve Russell, outro co-fundador e CEO da Prism, disse que existem atualmente 40 milhões de câmeras de segurança nos EUA, cujos dados coletados não são disponibilizados. “Queremos liberar essas informações”, declarou.

Mas a Prism não está sozinha no mercado de VSaaS (video surveillance as a service), que, segundo o instituto de pesquisa global MarketsandMarkets, movimentou US$ 474 milhões em 2011 e deverá crescer para US$ 2,4 bihões até 2017. Outras empresas que pretendem disputar uma fatia dessa nova indústria incluem Storegistics, RetailNext e a agência de marketing Redpepper -- a qual planeja customizar as câmeras de vídeo com software de reconhecimento facial de forma a combinar o rosto dos consumidores com seu perfil no Facebook, via mobile apps; isso, é claro, se conseguir contornar o cerco dos legisladores à invasão da privacidade.

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