segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012: mercado projeta ano estável para web

 IAB Brasil defende mesmo ritmo de crescimento de 2011, enquanto Abradi vê recuo nos investimentos

Se há quem veja no cenário econômico menos favorável - relativamente àquele vigente no final de 2010 -, fator capaz de arrefecer o ritmo de evolução das verbas destinadas à comunicação digital no Brasil no decorrer de 2012, existe também quem aposte não ser essa conjuntura capaz de impedir crescimento ao menos similar ao registrado em 2011.
Fábio Coelho, presidente do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) e do Google Brasil, integra-se a essa segunda corrente, e projeta para 2012 o mesmo índice de expansão apurado em 2011: cerca de 40% (prevê, inclusive, repetição dos índices especificamente relacionados a mídia display e a search, respectivamente, 25% e algo entre 55% e 60%). “O crescimento não será maior justamente pela economia menos favorável”, ressalta Fábio.
Para ele, garantirão a continuidade do atual ritmo de expansão fatores como o aumento da quantidade de internautas do país, que até o final deste ano devem somar aproximadamente 100 milhões de pessoas - sem contar com acessos via smartphones e tablets -, e o fato de já ter chegado a 40% o índice de penetração da internet no Brasil. “Em outros países, quando essa penetração atingiu tal índice, acelerou-se a expansão do investimento em comunicação na web”, destaca o presidente do IAB Brasil.

Já Cesar Paz, presidente da Abradi (Associação Brasileira das Agências Digitais), visualiza para 2012 incremento menos significativo no investimento em mídias digitais - relativamente àquele registrado em 2011 -, como consequência do cenário econômico mais difícil. “Mas haverá um crescimento de no mínimo 20%”, ele destaca.
E, na opinião de Cesar, em 2012 a mídia digital seguirá ampliando seu share no bolo publicitário nacional: “Como já ocorreu em 2009, em épocas de economia mais conturbada acentua-se o processo de racionalização dos investimentos, e ganha espaço o que pode ser mensurado e acompanhado em tempo real”.

Possibilidades e oportunidades
Ao menos para as mais estruturadas entre elas, 2012 será um ano favorável para as agências de comunicação digital, crê Abel Reis, presidente da AgênciaClick Isobar. Sua própria agência, ele especifica, deve manter o ritmo de expansão registrado nos últimos anos, nos quais sempre obteve índices de crescimento situados no patamar dos dois dígitos (geralmente, entre 10% e 20%).
Para Abel, além de serem as mídias digitais opções de comunicação eficazes e rentáveis tanto nos momentos prósperos quanto em épocas de economia menos aquecida, no Brasil esse universo deve expandir-se nos mais diversos quesitos: audiência, acesso a banda larga, penetração (inclusive entre as classes de menor poder aquisitivo), entre outros. “E, considerando-se sua atual audiência, e sua capacidade de engajamento, as mídias digitais são ainda subaproveitadas no Brasil”, ele destaca.

Gal Barradas, CEO da agência F.biz, qualifica como “muita boas” as perspectivas colocadas este ano para a comunicação digital no Brasil: “A tecnologia está inserida na cultura contemporânea, e é impensável qualquer estratégia de negócios ou comunicação sem o digital no centro das estratégias”, ela diz. “O mercado digital vem crescendo a uma média de 40% ao ano no Brasil; esperamos que essa tendência se supere, pois além de novos negócios online surgindo, negócios brasileiros estão atraindo mais capital nacional e estrangeiro, e isso tem reflexo nos investimentos em comunicação”, acrescenta Gal.
Mas, embora sigam expandindo-se vertentes já mais consolidadas da comunicação digital - como mídia display, search e conteúdo de marca -, devem agora elevar-se de maneira mais acelerada os investimentos em ações mobile e em mídias sociais, prevê Cesar, da Abradi. “No ambiente das redes sociais, deve crescer especialmente o Facebook, até porque agora ele tem operação no Brasil”, ele especifica.
Coelho, do IAB Brasil, adiciona à lista apresentada por Cesar com as modalidades de comunicação online com maior potencial de crescimento, as ações relacionadas a localização e ao comércio eletrônico. Ele também cita o governo como segmento no qual as empresas do setor podem ampliar seus negócios de maneira mais significativa: “Os principais anunciantes brasileiros já investem de 13% a 15% de suas verbas - e em alguns casos mais de 20% -, em mídias digitais; no governo, esse índice não chega a 5%”, compara Fábio.
Para Reis, da AgênciaClick Isobar, é vasto o campo para o incremento dos negócios também em segmentos que, embora já disponibilizem comércio eletrônico - ou possam vir a tê-lo -, não restringem suas vendas ao universo virtual: “Há muito potencial de expansão do comércio online de varejos mais tradicionais, como automóveis e setor financeiro”, ele exemplifica.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário