Ainda são muitas as empresas no Brasil que incorporaram o pensamento digital em suas estratégias de marketing e comunicação, comentou-se no debate “Agências em Transformação”, no New Brand Communication 2011. E isso muitas vezes impõe desafios para o mercado.
Ora o cliente é conservador – ou seja, tem receio de aprovar propostas aparentemente mais ousadas, que busquem um diálogo mais intenso da empresa/marca com o consumidor –, ora superestima a capacidade dos canais digitais resolverem, isoladamente, os problemas de comunicação de um projeto.
No caso das mídias sociais, elas não são nem mais nem menos importantes do que os demais canais de comunicação e pontos de contato com o público. São outros canais que podem ter (e têm) suas características próprias, suas diferentes formas de abordagem e, ainda, uma certa falta de padronização. Mas continuam sendo meios.
Valorizar e vender produtos e serviços, ampliar os negócios, gerar reputação, construir marcas, fortalecer os laços com os stakeholders, tudo isso forma a base da comunicação corporativa. E as agências sabem que, hoje, não basta falar do que fazem os clientes, mas criar formatos de conteúdo que despertem interesse e tenham relevância para conquistar fidelidade do público-alvo. Mais do que isso, querem criar intimidade com o público. Convenhamos, algo ainda muito complexo: apenas estar nas redes sociais sem saber o que se faz ali é um verdadeiro tiro no pé.
Essa busca, entretanto, extrapola as ações online, o que inclui até mesmo as ações de empresas com DNA ‘nas nuvens’. Pensar digitalmente inclui criar estratégias que passem por esse universo, mas que incluam ações que caminhem a passos firmes no mundo real. Vale ressaltar, que a web é canal, não o processo final. Ela transporta os conceitos, pré-conceitos, fundamentos e comportamentos no universo de tijolos. É algo que pende muito mais para o lado da sociologia e menos para os vieses da tecnologia.
Assim como as grandes empresas promovem ações no varejo, ações de construção de reputação institucional dependem, por exemplo, de um bom planejamento de relações públicas alinhado com as ações de mídias sociais.
Por mais que haja um crescimento acelerado da presença nas redes sociais, por mais que aumente o número de os brasileiros com acesso à banda larga, por mais que subam as vendas de smartphones e de tablets, nada disso deve excluir do radar das agências – e de quem planeja – as ações no mundo offline.
Descartá-las soa, no mínimo, inocência. Caminhamos, a cada dia, para o modelo de comunicação 360o, convergente. Ou seja, criar iniciativas com uma visão integrada do processo, algo ainda difícil e bastante trabalhoso de ser conquistado.
Analisar e trabalhar especificamente um meio pode ser importante até a página 2. Atuar dessa forma é correr contra o vento. Logo, cliente e agência perceberão que falta um complemento. E certamente ele pode – e deve vir – do “universo desconectado”.
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