quinta-feira, 9 de junho de 2011

Bope toma gosto por operações em 140 caracteres

"Pede pra entrar", diria capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura no filme 'Tropa de Elite', se soubesse do potencial das redes sociais para os órgãos de segurança pública. Foi o que fez, na vida real, o tenente-coronel Wilman René Alonso, comandante geral do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da PM do Rio, quando vislumbrou no Twitter um novo meio de interação rápida com a comunidade.
Desde março, o batalhão divulga suas operações pelo perfil @Real_BOPE_RJ, incluindo confrontos com bandidos em comunidades da cidade, como é o caso do Morro da Mangueira, que receberá a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em breve. 

"Nosso objetivo foi criar um canal de comunicação com a população que usa esse tipo de rede social, de forma rápida e direta, com informações relevantes sobre fatos relacionados ao Bope. E isso inclui as incursões em comunidades", explicou o tenente-coronel. 

Responsável por acompanhar as operações in loco e twittar toda a movimentação em tempo real, a tenente Marlisa de Oliveira Amorim garante que a adrenalina sobe a cada post. Entre as ações mais recentes divulgadas no @Real_BOPE_RJ, estão incursões nos morros da Mangueira, do Tuiuti e na Pedreira. Durante a cobertura do evento, a tenente prioriza informações que prestem serviço à comunidade e também procura tirar dúvidas dos internautas. 

"Você está no meio de uma operação policial e isso envolve a segurança de muitas pessoas. Sempre que informamos, pensamos nisso. O Twitter do Bope é institucional e é uma ferramenta da corporação", disse. 

Como, no microblog, as informações correm em mão dupla, a comunidade também costuma enviar pistas de suspeitos e dados que podem contribuir para a ação da polícia - uma vantagem apontada pela tenente para o uso da rede. As identidades são preservadas a fim de garantir a segurança dos denunciantes. O canal também serve para críticas. No último mês, um seguidor do Twitter foi convidado a visitar o Batalhão, depois de enviar mensagens agressivas para os policiais. 

Além de convites como esse, o órgão promove eventos nas comunidades e as divulga pelo Twitter. A dobradinha 'futebol + policiamento comunitário' funcionou na rede. O post de maior repercussão desde o lançamento do perfil do Bope foi o que anunciava a presença de Ronaldo Fenômeno em um torneio organizado no Morro da Mineira, no dia 30 de abril.
"Em geral, os seguidores valorizam os posts de pessoas conhecidas e com fotos", observa Marlisa.
Outra iniciativa do @Real_BOPE_RJ foi uma twitcam com o próprio comandante.  Em apenas uma hora de videoconferência, o perfil ganhou 200 seguidores. Ao todo, o batalhão virtual tem pouco mais de 2.600. A intenção do grupo é realizar fóruns mensais com algum representante do Bope. O próximo deve ocorrer com uma das psicólogas responsáveis pelo preparo dos policiais.
Apesar de colecionar diversas ações em 140 caracteres, o Bope ainda não planeja uma incursão pelo Facebook. O motivo não foi revelado pelos caveiras.

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