terça-feira, 17 de maio de 2011

Não basta ser criativo, tem que inventar algo do nada

O ser humano é imprevisível e age durante todo o tempo buscando seus próprios interesses. Assim Baltasar Gracián se posiciona em seu livro A Arte da Prudência, que pode ser considerado um manual de estratégia para bem viver. Se precaver diante da vida é a base para obter equilíbrio, e é o que para Gracián parece ser a base de tudo. Se fizermos uma analogia com a situação no mercado onde as empresas competem por espaços cada vez mais escassos, digamos que para vencer é necessário ser precavido, antever e buscar solução antes do problema existir. Todos os dias vemos  novos produtos entrando e outros morrendo, às vezes,  em poucas horas. 

Outro dia fui a um ótimo evento (Semana da Criação) buscar novas idéias, que pretendia extrair das palestras para antever o que o mercado poderia estar preparando no segmento que minha empresa atua. Tive sorte, pois assisti à duas delas que afirmavam que há uma grande diferença entre ser criativo e criador. Enquanto o primeiro pode fazer ações que sejam novas e diferenciadas, o segundo é aquele que cria a partir do nada. 

Ou seja, é a real invenção, o inusitado, o raro e nobre. Algo realmente notável. Concordo que não é fácil criar e o palestrante, um estrangeiro, dizia que criar tem que envolver alegria, que é mais forte do que a felicidade, pois é ligada ao momento que se vive. Enfim, foi realmente uma lição de como hoje em dia a área de criação está preocupada em criar idéias e não inovar a partir do nada. 

Quero dizer que as agências recebem os briefings, que para mim devem ser o início, e não o fim do projeto solicitado. Algumas agências querem que o briefing diga o que deve ser feito ou criado. Em geral, o cliente não sabe bem o que quer, então, o melhor é considerar o briefing como uma dica apenas, nada mais do que informação ou dados. O que deve prevalecer, no entanto, é a busca continua da criação a partir do nada, algo que ninguém de dentro do cliente tenha visto ainda. 

Aí sim podemos dizer que algo realmente foi “criado” por um criador criativo e garantir que Baltazar Gracián estava certo quando dizia que a melhor solução para viver bem é ser precavido. Procure ter uma agência que entenda que para vencer os desafios de hoje, tem que saber o que irá acontecer amanhã. Puxa, não parece tarefa fácil. Ué, mas quem falou que era para ser?



Por Amalia Sina

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